Como poucos aqui sabem, moro em São Leopoldo - RS, na grande Porto Alegre.
São Leopoldo é cortada por um rio, chamado Rio dos Sinos, que nasce na serra e corre até encontrar o rio Guaiba em Porto Alegre.
Aqui em São Leopoldo, até bem poucos anos atras tinhamos um aeroclube que, posteriormente se mudou para Eldorado do Sul, em função do crescimento da cidade.
(http://www.aeroeldorado.com.br/historia.htm)
Era um aeroclube tradicional, antiquissimo.
Esta história que aqui lhes contarei aconteceu por volta dos anos 40.
-----**************************
Um jovem piloto brevetado no Aeroclube de São Leopoldo, admirador ardoroso da aviação, praticava quase que diariamente algumas horas de vôo em avião Paulistinha, mais conhecido como teco-teco. Sobrevoava a região tanto na serra como no mar. Gostava muito de dar rasantes sobre as águas do Rio dos Sinos, onde voava a aproximadamente dois metros de seu leito. Isso várias vezes ao dia. Quero dizer, nos dias em que voava.
Na época, era considerado um dos mais eximios pilotos que integravam os associados do Aeroclube de São Leopoldo, considerado um dos mais modernos do país.
Num determinado dia, ele levantou vôo e, como já era de prache, foi dando os seus rasantes sobre as águas tranquilas do rio, acompanhando todas as suas sinuosidades. O rio nascia na serra do mar e de lá vinha serpenteando até desaguar no estuário do Guaíba, em Porto Alegre.
Existe uma travessia na altura do Passo do Carioca que, por não existir ponte, é efetuada por uma balsa que chega a transportar seis automóveis de cada vez, se necessário for.
Ela é ligada de um lado ao outro por um cabo de aço numa altura de tres metros mais ou menos que, tracionado manualmentem faz com que ela se desloque de uma margem à outra.
O nosso piloto havia se esquecido de que no local antes descrito existia o tal cabo e naturalmente fazendo o seu rasante sobre as águas só sentiu o impacto das rodas no mesmo quando o avião deu um giro de duzentos e setenta graus sobre si mesmo e começou a submergir lentamente.
O barqueiro se deslocou até onde se encontrava o avião, chegando a tempo de evitar uma tragédia. O avião estava quase submerso. Com uma corda existente na balsa, chegou a tempo de amarra-la na cauda do avião impedindo que o mesmo submergisse.
Aberto um inquérito pelo Ministério da Aeronáutica, o jovem piloto ficou suspenso de voar por dez anos. Inconformado com a punição, voou para os Estados Unidos da América do Norte e, como o país na época encontrava-se em guerra com o Vietnam do Norte, alistou-se voluntáriamente na força aérea americana. Depois de exaustivamente treinado nos mais sofisticados aviões existentes na época, foi promovido a oficial e passou a integrar uma guarnição de B52, que permanecia voando constantemente vinte e quatro horas, sendo abastecido no ar por um avião tanque.
Terminada a missão, descansava quarenta e oito horas e voltava à mesma atividade.
E assim foi cumprindo a sua missão e granjeando a confiança de seus superiores e consequentemente galgando postos de maiores responsabilidades.
Com o correr do tempo foi promovido a comandante de uma esquadrilha de caças-bombardeiros, já no posto de major aviador, devido às inumeras condecorações que lhe foram conferidas pelos seus atos de bravura quando em combate, onde já tinha abatido diversos aviões Mig, de fabricação russa e que eram considerados de grande maneabilidade e combatividade, e constituiam parte da força aérea vietnamita.
Terminou a guerra do Vietnam onde, pela primeira vez na história os americanos não conseguiram vencer um inimigo e aceitaram um armiticio.
O nosso jovem piloto, já no posto de Coronel da Força Aérea Americana, recebeu como prêmio de sua capacidade a incumbência de comandar uma esquadrilha de aviões ultra modernos, que viriam ao Brasil participar das comemorações dos quatrocentos anos da fundação da cidade do Rio de Janeiro.
Chegando ao Brasil, foi recebido pelas maiores autoridades militares do país, com todas as honras a que tinha direito, sendo inclusive recebido pelo Brigadeiro Ministro da Aeronautica. Iniciadas as festividades, a esquadrilha americana sob o comando do Coronel Aviador, executou as mais arriscadas e perfeitas manobras efetuadas por oito aviões simultaneamente. Terminada a apresentação da esquadrilha, com os maiores elogios do toda a imprensa escrita, falada televisada do país, o comandante da esquadrilha no dia seguinte apresentou-se ao Ministro da Aeronautica, onde foi recebido com a maior atenção e, pediu informações sobre um piloto de nome Newton Bervig. Enquanto dava entrevistas para todos os orgãos de comunicação que lá se encontravam, recebeu as informações que solicitara.
"O piloto Newton Bervig, por impericia, havia causado um acidente sem vitimas, e teve seu brevet cassado por dez anos. Durante esse tempo não poderá pilotar aviões Teco-Teco".
O solicitante identificou-se: eu sou Newton Bervig, o piloto leopoldense que se acidentou em São Leopoldo, e tive o brevet cassado por dez anos. Foi uma correria lá dentro do ministério. O oficial que o havia atendido ficou perplexo. Imediatamente entrou em contato com o Ministro da Aeronautica que, solícito, determina o cancelamento da punição que lhe havia sido imposta e que ele já estava apto a voar um PAULISTINHA.
HERÓI DA FORÇA AÉREA AMERICANA, JÁ PODERIA PILOTAR UM TECO-TECO NO BRASIL.
Retirado do livro Cem Voltas ao Passado, de Victor Hugo Moog. 2003
O autor deste livro de crônicas nasceu no dia 22 de dezembro de 1927, na cidade de São Leopoldo, berço histórico da imigração alemã.
Foi sargento do exercito por cinco anos e meio. Posteriormente, concursado ingressou no serviço da Justiça, onde exerceu como serventuário os cargos de contador, distribuidor, partidor, avaliador judicial, acumulando juntamente com os mesmos, a chefia do Comissariado de Menores da Comarca de São Leopoldo, cargo exercido até a década de setenta.
Nesse periodo colocou mais de trezentas crianças abandonadas, em casas de familia. Nunca como empregadas, mas como filhos.
Aposentou-se em 12 ed Dezembro de 1985.
Formado e diplomado na faculdade da vida em psicologia, filosofia, humanidade, bondade e respeito aos seus semelhantes.
Dentro dessas atividades, foi testemunha ocular de muitas das histórias que são contadas no livro, bem como participou de diversas delas.
Os fatos aqui descritos ocorreram entre as décdas de trinta até a década de noventa e, dentro desse vácuo de tempos de que nada se falou e de que os mais jovens, agora, irão tomar conhecimento dos mais variados fatos ocorridos neste municipio, tanto cívicos, judiciais, hilários, sociais e trágicos, todos integrantes indiscutíveis da história de São Leopoldo.
Os fatos ocorridos após a década de noventa ainda não podem passar para a história por serem muito recentes e, consequentemente, conhecidos de todos.
São Leopoldo é cortada por um rio, chamado Rio dos Sinos, que nasce na serra e corre até encontrar o rio Guaiba em Porto Alegre.
Aqui em São Leopoldo, até bem poucos anos atras tinhamos um aeroclube que, posteriormente se mudou para Eldorado do Sul, em função do crescimento da cidade.
(http://www.aeroeldorado.com.br/historia.htm)
Era um aeroclube tradicional, antiquissimo.
Esta história que aqui lhes contarei aconteceu por volta dos anos 40.
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Um jovem piloto brevetado no Aeroclube de São Leopoldo, admirador ardoroso da aviação, praticava quase que diariamente algumas horas de vôo em avião Paulistinha, mais conhecido como teco-teco. Sobrevoava a região tanto na serra como no mar. Gostava muito de dar rasantes sobre as águas do Rio dos Sinos, onde voava a aproximadamente dois metros de seu leito. Isso várias vezes ao dia. Quero dizer, nos dias em que voava.
Na época, era considerado um dos mais eximios pilotos que integravam os associados do Aeroclube de São Leopoldo, considerado um dos mais modernos do país.
Num determinado dia, ele levantou vôo e, como já era de prache, foi dando os seus rasantes sobre as águas tranquilas do rio, acompanhando todas as suas sinuosidades. O rio nascia na serra do mar e de lá vinha serpenteando até desaguar no estuário do Guaíba, em Porto Alegre.
Existe uma travessia na altura do Passo do Carioca que, por não existir ponte, é efetuada por uma balsa que chega a transportar seis automóveis de cada vez, se necessário for.
Ela é ligada de um lado ao outro por um cabo de aço numa altura de tres metros mais ou menos que, tracionado manualmentem faz com que ela se desloque de uma margem à outra.
O nosso piloto havia se esquecido de que no local antes descrito existia o tal cabo e naturalmente fazendo o seu rasante sobre as águas só sentiu o impacto das rodas no mesmo quando o avião deu um giro de duzentos e setenta graus sobre si mesmo e começou a submergir lentamente.
O barqueiro se deslocou até onde se encontrava o avião, chegando a tempo de evitar uma tragédia. O avião estava quase submerso. Com uma corda existente na balsa, chegou a tempo de amarra-la na cauda do avião impedindo que o mesmo submergisse.
Aberto um inquérito pelo Ministério da Aeronáutica, o jovem piloto ficou suspenso de voar por dez anos. Inconformado com a punição, voou para os Estados Unidos da América do Norte e, como o país na época encontrava-se em guerra com o Vietnam do Norte, alistou-se voluntáriamente na força aérea americana. Depois de exaustivamente treinado nos mais sofisticados aviões existentes na época, foi promovido a oficial e passou a integrar uma guarnição de B52, que permanecia voando constantemente vinte e quatro horas, sendo abastecido no ar por um avião tanque.
Terminada a missão, descansava quarenta e oito horas e voltava à mesma atividade.
E assim foi cumprindo a sua missão e granjeando a confiança de seus superiores e consequentemente galgando postos de maiores responsabilidades.
Com o correr do tempo foi promovido a comandante de uma esquadrilha de caças-bombardeiros, já no posto de major aviador, devido às inumeras condecorações que lhe foram conferidas pelos seus atos de bravura quando em combate, onde já tinha abatido diversos aviões Mig, de fabricação russa e que eram considerados de grande maneabilidade e combatividade, e constituiam parte da força aérea vietnamita.
Terminou a guerra do Vietnam onde, pela primeira vez na história os americanos não conseguiram vencer um inimigo e aceitaram um armiticio.
O nosso jovem piloto, já no posto de Coronel da Força Aérea Americana, recebeu como prêmio de sua capacidade a incumbência de comandar uma esquadrilha de aviões ultra modernos, que viriam ao Brasil participar das comemorações dos quatrocentos anos da fundação da cidade do Rio de Janeiro.
Chegando ao Brasil, foi recebido pelas maiores autoridades militares do país, com todas as honras a que tinha direito, sendo inclusive recebido pelo Brigadeiro Ministro da Aeronautica. Iniciadas as festividades, a esquadrilha americana sob o comando do Coronel Aviador, executou as mais arriscadas e perfeitas manobras efetuadas por oito aviões simultaneamente. Terminada a apresentação da esquadrilha, com os maiores elogios do toda a imprensa escrita, falada televisada do país, o comandante da esquadrilha no dia seguinte apresentou-se ao Ministro da Aeronautica, onde foi recebido com a maior atenção e, pediu informações sobre um piloto de nome Newton Bervig. Enquanto dava entrevistas para todos os orgãos de comunicação que lá se encontravam, recebeu as informações que solicitara.
"O piloto Newton Bervig, por impericia, havia causado um acidente sem vitimas, e teve seu brevet cassado por dez anos. Durante esse tempo não poderá pilotar aviões Teco-Teco".
O solicitante identificou-se: eu sou Newton Bervig, o piloto leopoldense que se acidentou em São Leopoldo, e tive o brevet cassado por dez anos. Foi uma correria lá dentro do ministério. O oficial que o havia atendido ficou perplexo. Imediatamente entrou em contato com o Ministro da Aeronautica que, solícito, determina o cancelamento da punição que lhe havia sido imposta e que ele já estava apto a voar um PAULISTINHA.
HERÓI DA FORÇA AÉREA AMERICANA, JÁ PODERIA PILOTAR UM TECO-TECO NO BRASIL.
Retirado do livro Cem Voltas ao Passado, de Victor Hugo Moog. 2003
O autor deste livro de crônicas nasceu no dia 22 de dezembro de 1927, na cidade de São Leopoldo, berço histórico da imigração alemã.
Foi sargento do exercito por cinco anos e meio. Posteriormente, concursado ingressou no serviço da Justiça, onde exerceu como serventuário os cargos de contador, distribuidor, partidor, avaliador judicial, acumulando juntamente com os mesmos, a chefia do Comissariado de Menores da Comarca de São Leopoldo, cargo exercido até a década de setenta.
Nesse periodo colocou mais de trezentas crianças abandonadas, em casas de familia. Nunca como empregadas, mas como filhos.
Aposentou-se em 12 ed Dezembro de 1985.
Formado e diplomado na faculdade da vida em psicologia, filosofia, humanidade, bondade e respeito aos seus semelhantes.
Dentro dessas atividades, foi testemunha ocular de muitas das histórias que são contadas no livro, bem como participou de diversas delas.
Os fatos aqui descritos ocorreram entre as décdas de trinta até a década de noventa e, dentro desse vácuo de tempos de que nada se falou e de que os mais jovens, agora, irão tomar conhecimento dos mais variados fatos ocorridos neste municipio, tanto cívicos, judiciais, hilários, sociais e trágicos, todos integrantes indiscutíveis da história de São Leopoldo.
Os fatos ocorridos após a década de noventa ainda não podem passar para a história por serem muito recentes e, consequentemente, conhecidos de todos.

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